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quinta-feira, 24 de junho de 2010

Futebol: Sprint x Intervalado aeróbio




O objetivo do estudo foi comparar o efeito do treino intervalado aeróbio de alta intensidade com o treino de sprints repetidos nas variáveis fisiológicas aeróbias e anaeróbias em jogadores de futebol masculino. Quarenta e dois participantes foram determinados de forma randômica ou para o grupo intervalado (ITG, 4x4 min. de corrida a 90-95% da FCmax; n=21) ou para o grupo de sprints (RSG, 3x6 sprints no máximo, com distância de 40m; n=21). Os seguintes resultados foram medidos pela linha-base e após sete semanas de treinamento: consumo máximo de oxigênio, ponto de compensação ventilatória, resistência específica do futebol (Teste Intermitente com recuperação Yo-Yo, YYIRT), tempo do sprint de 10m, altura de salto, potência de salto e capacidade de repetição de sprints (RSA). Significante interação entre grupo x tempo foi encontrada para YYIRT (p=0.003) com RGS mostrando maior melhora (de 1917 ± 439 para 2455 ± 488m) que o ITG (de 1846 ± 329 para 2077 ± 300m). Similarmente, uma significante interação foi achada na média de tempo RSA (p=0.006) sendo o único grupo que mostrou melhoras após o treinamento foi o RSG (de 7,53 ± 0.21 para 7.37 ± 0.17s). Nenhuma outra interação foi encontrada. Significantes mudanças no pré-pós foram achadas para o consumo máximo de oxigênio e ponto de compensação respiratória para os valores absolutos e relativos (p menor que 0.05). Estes achados sugerem que o protocolo de treino RSA usado neste estudo pode ser uma efetiva estratégia de treino para induzir adaptações aeróbias e específicas do futebol.


Esta é uma parte da tabela 1, e mostra os dados referentes às potências aeróbias dos dois grupos (Intervalado e Sprint). É possível observar que em ambos os grupos houve aumento na variável potência aeróbia (VO2max) e essa diferença foi significativa, apesar de não estar descrita.



A figura 1 exibe os dados pré e pós de ambos os grupos para o teste específico de futebol. Nota-se que os dois tipos de treino melhoraram no pós-intervenção, porém o grupo que obteve melhor resultado foi o que realizou treinos de sprint. Os autores acreditam que esse tipo de treino estimulou tanto o metabolismo anaeróbio quanto o proporcionou melhoras no metabolismo aeróbio, como estudos anteriores mostram também.

Com isso, a Equipe Só Fortalece continua sua perspectiva de apresentar alguns assuntos 'novos e diferentes' para que todos tenham acesso a atualização dos conhecimentos.





É bastante frequente no senso comum e até mesmo na área da saúde que se questione a segurança e possibilidade de utilização de meios e métodos de treino de força. No entanto existem bases sólidas na literatura explicitando a relevância desse tipo de treino tanto para a saúde em diferentes faixas etárias como para o desempenho em modalidades desportivas em geral.
O presente artigo revisou a literatura, buscando estabelecer parâmetros e identificar o risco de práticas nas quais se utiliza sobrecarga externa quando comparadas entre si (Levantamento Olímpico e Musculação) e a outras modalidades desportivas.


Pode-se observar que, em comparação a outras modalidades como futebol e rubgy, por exemplo, há uma menor incidência de lesões entre os jovens que praticam a modalidade de Levantamento Olímpico e ou musculação.
Discute-se, além dos benefícios decorrentes de práticas com sobrecarga externa para diferentes populações, sobretudo jovens em idade escolar, o fato de que essas modalidades demandam uma progressão adequada, bem como os gestos técnicos apropriados, quando essas variáveis são trabalhadas de forma satisfatória, os riscos são menores, principalmente por não haver influência externa, sendo todo o gesto dependente da competência do atleta.


De modo geral, as conclusões do presente estudo sugerem que, desde que corretamente supervisionada, a prática de diferentes tipos de treinamento com pesos é aconselhada para jovens em idade escolar, por diferentes motivos.


terça-feira, 22 de junho de 2010

Intervalo entre séries e exercícios



Os autores tiveram como objetivo neste estudo observar os efeitos de dois tempos diferentes de intervalo entre as séries e os exercícios (2min e 5min) no número de repetições por série, por exercício e o número total de repetições realizadas pelos indivíduos.
A amostra foi composta por 14 homens treinados com média de 23 anos de idade.
Eis os resultados para os exercícios de membros inferiores:
Houve melhor aproveitamento, quanto ao número de repetições realizadas por série e por exercício, quando utilizado intervalos de 5min em relação aos de 2min. Também foi verificado para todos os exercícios e ambos tempos de intervalo, diminuição no número de repetiçoes com o avançar das séries. A Tabela 1 apresenta estes dados com diferenças estatisticamente significativas em alguns momentos.
E para os de membros superiores e tronco:
Melhor aproveitamento na maior parte dos casos foi observado quando utilizados os 5min de intervalo. Além do maior número total de repetições. Com diferenças estatisticamente significativas entre os valores em alguns momentos, conforme a Tabela 2.
Até a próxima.







sábado, 19 de junho de 2010

Força x Aeróbio moderado para fatores de risco de cardiopatias


Tendo em vista a apresentação realizada por dois dos componentes da Equipe Só Fortalece junto ao Núcleo de Atividades Físicas para a Terceira Idade da ESEF-UFPel, no dia 19/06/2010. Apresentamos o presente estudo, de modo a dar continuidade aos assuntos nessa ocasião abordados.
Existe, de modo geral muitas dúvidas e medos por parte de profissionais da área, como médicos e educadores físicos, no que tange aos riscos e à relevância da implementação do treino de força no aprimoramento da aptidão física para a saúde em pessoas a partir dos 45 anos de idade, principalmente.
Sabe-se que a soma de fatores genéticos e ambientais determina a forma na qual se dá o envelhecimento bem como o desgaste de tecidos e sistemas do nosso organismo.



Partindo do exposto, o presente estudo comparou efeitos do treino resistido, com pesos, e do treino aeróbio moderado de longa duração.
Os indivíduos que realizaram treinamento resistido apresentaram menor percentual de gordura corporal e maior percentual de massa magra do que aqueles que praticaram exercício moderado de longa duração.




Observou-se um potencial hipotensivo nos dois tipos de treino, embora, em indivíduos que já apresentavam valores de pressão sanguínea diastólica maiores que 90mm de Hg, o treino aeróbio ocasionou melhorias estatísticamente significativas.






De modo geral, os autores relataram que ambas as modalidades de exercício físico são relevantes para a diminuição dos fatores de risco para complicações arteriais coronarianas e de fatores de risco para doenças relacionadas ao estilo de vida em indivíduos na meia idade. No entanto, vale ressaltar que cada tipo de exercício ocasiona benefícios únicos, sendo indispensável a combinação de ambos quando se busca atingir um aprimoramento adequado da aptidão física relacionada à saúde.
Ainda, que não foi encontrada diferença significativa na plasticidade dos vasos, alteração que geralmente é associada ao treino de força.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Protocolo Tabata



O objetivo do estudo foi experimentar dois tipos treinamentos usando cicloergômetro, onde o primeiro consistia de 6 semanas de treino de resistência com intensidade moderada [Intensidade: 70% do consumo máximo de oxigênio (VO2máx), 60 min/dia, 5 d/sem] na capacidade anaeróbia (Acumulo máximo de déficit de oxigênio) e no VO2máx. Após o treinamento, a capacidade anaeróbia não aumentou significativamente (p maior do que 0.10), enquanto que o VO2máx aumentou de 53 ± 5 ml/kg/min para 58 ± 3 ml/kg/min (p menor do que 0.01) (média ± DP). O segundo protocolo de treino foi intermitente de alta intensidade, onde sete sujeitos desempenharam um treino intervalado de 5 d/sem por 6 semanas. O treino intermitente exaustivo consistia em sete a oito séries de 20 segundos de exercício com intensidade aproximada de 170% VO2máx, com 10 segundos de descanso entre cada esforço. Após o período de treino, VO2máx aumentou 7 ml/kg/min, enquanto que a capacidade anaeróbia aumentou 28%. Como conclusão, este estudo mostra que treino aeróbio de intensidade moderada que melhora a potência aeróbia máxima não modifica a capacidade anaeróbia e que adequadamente o treino intermitente de alta intensidade pode melhorar ambos os sistemas de fornecimento de energia, anaeróbio e aeróbio, significativamente, provavelmente devido à intensidade que estimulou ambos sistemas.




A figura 1 mostra o efeito dos dois tipos de treino na capacidade anaeróbia dos participantes, apresentando que somente o treino intervalado de alta intensidade promoveu melhoras na capacidade anaeróbia dos indivíduos, a partir da quarta semana desse estímulo.




A figura 2 apresenta os valores do consumo máximo de O2 durante o processo de treinamento. Verifica-se que ambos tipos de estímulos foram suficientes para promover melhoras significativas nos sujeitos, porém o treino de alta intensidade proporcionou maiores benefícios do que o treino de intensidade moderada.

Portanto, há evidência na literatura especializada, desde 1996, de que o treino aeróbio intervalado de alta intensidade pode ser mais eficiente do que o treino contínuo de intensidade moderada na melhora do consumo máximo de O2 (VO2max). Isso acontece pelo fato de que os estímulos promovidos geram maiores adaptações PERIFÉRICAS (por exemplo, melhora na capacidade de ação de enzimas relacionadas ao metabolismo aeróbio, dentro das células musculares) do que o treino contínuo, o qual promove maiores adaptações CENTRAIS (por exemplo, aumento da cavidade ventricular esquerda).

Até mais!



terça-feira, 15 de junho de 2010

Alongamento antes? Como?

Este assunto já foi abordado por aqui, porém, devido a sua relevância, tornamos a apresentar mais evidências sobre as práticas de alongamento e seus efeitos em atividades subsequentes.
Para o momento, em relação ao efeito agudo de algumas situações de alongamento adotadas, estando elas inseridas no aquecimento pré teste de agilidade (Illinois Agility Test).


Neste estudo os autores apresentam e discutem como o alongamento vem sendo trabalhado, e para tornar sua discussão mais interessante e contribuir para o melhor entendimento do tema, submetem jogadores de futebol a 4 situações diferentes de teste, com o intuito de avaliar a influência dos tipos de alongamento adotados sobre o desempenho de agilidade dos sujeitos.
Os indivíduos componentes da amostra foram divididos em dois grupos, mais experientes (com mais de 7 anos de treinamento) e menos experientes (com menos de 7 anos de treinamento), sendo que todos realizaram as quatro etapas do estudo. A seguir, as situações as quais foram submetidos:
1) 4min de corrida (trote) + alongamento estático + 2min de descanso + teste de agilidade;
2) 4min de corrida (trote) + alongamento dinâmico + 2min de descanso + teste de agilidade;
3) 4min de corrida (trote) + alongamento combinado (estático+dinâmico) + 2min de descanso + teste de agilidade;
4) 4min de corrida (trote) + 2min de descanso + teste de agilidade.
Desta forma, foram encontrados os seguintes resultados:

Houve diferença significativa no tempo para completar o teste de agilidade entre as situações sem alongamento e com alongamento estático, com alongamento estático e com alongamento dinâmico, e com alongamento dinâmico e com alongamento combinado.

Diferenças entre os grupos nas diferentes situações de teste.
Sendo assim, foi constatado que para a situação aqui apresentada o melhor método de introduzir o alongamento no aquecimento é o primeiro sendo feito de maneira dinâmica. Os autores ainda mencionam que o alongamento estático pode causar diminuições no desempenho de força muscular, velocidade máxima, portanto potência muscular também, como é visto em outros estudos.
Pode ser notado, com os resultados obtidos, que o alongamento combinado mostrou melhor influência no teste de agilidade quando comparado ao alongamento estático. Fato que pode ser explicado por o alongamento dinâmico diminuir as perdas proporcionadas pelo estático. Levando a crer que, se o estático for utilizado, que seja juntamente com o dinâmico.

domingo, 13 de junho de 2010

FORÇA NO CICLISMO?




Diversos estudos têm mostrado a relevância e a necessidade de inclusão do treino de força para melhorar o desempenho em diferentes modalidades tanto nas que dependem predominantemente da via metabólica aeróbia quanto da anaeróbia.
O presente estudo começa com a explanação de características básicas do ciclismo de estrada, bem como da correta interpretação da fisiologia do exercício. Partindo do ponto de vista de que o suprimento energético em diferentes momentos possui predominância, porém não exclusividade, de uma ou outra via metabólica, é de fácil compreensão a interação entre força e componente aeróbio, por exemplo.
Quanto maior a capacidade de força de um indivíduo menor será o gasto energético para uma tarefa, mesmo que contínua e com predominância aeróbia, isso se insere no conceito de economia de movimento.
No presente estudo foram incluídos ciclistas bem treinados, separados de forma aleatória em grupo controle e intervenção, aquele deu seguimento ao treinamento na bicicleta exclusivamente e este adicionou ao programa de treinamento o treino de força (4-10RM) duas vezes por semana durante 12 semanas.




Observou-se, ao final do estudo a capacidade aumentada de produção de potência em um sprint máximo (all out) com 5 minutos de duração, após 185 minutos de pedalada a 44% do VO2max.
E o aumento dos valores de 1RM no meio agachamento.

Além disso, o grupo que treinou força aumentou a economia de movimento, diminuindo variáveis como a quantidade de oxigênio consumida, a concentração de lactato e a FC para uma mesma atividade (ciclismo a 44% do VO2max) quando comparado às mesmas variáveis mensuradas antes da intervenção, e ainda, em relação ao pré e pós do grupo que não treinou força.



sexta-feira, 11 de junho de 2010

A volta dos que não foram...


Objetivo: A proposta do estudo foi verificar o perfil de contribuição energética dos sistemas aeróbio e anaeróbio durante simulação na esteira em alta velocidade das corridas de 200, 400, 800 e 1500 metros. Métodos: Vinte atletas altamente treinados (Padrão seleção Australiana) participaram do estudo, sendo especialistas em 200 metros (N= 3), 400 metros (N= 6), 800 metros (N= 5) ou 1500 metros (N= 6) (média de VO2PICO [ml.kg-1.min-1] ± DP = 56 ± 2,59 ± 1, 67 ± 1, e 72 ± 2, respectivamente). As contribuições relativas dos sistemas energéticos aeróbio e anaeróbio foram calculadas utilizando o método o Déficit Acumulado de Oxigênio (AOD). Resultados: A contribuição relativa dos sistemas energéticos aeróbio e anaeróbio para os 200, 400, 800 e 1500 metros foi 29 ± 4, 43 ± 1, 66 ± 2 e 84 ± 1% ± DP, respectivamente. O tamanho do AOD aumentou com de acordo com a duração das provas de 200m, 400m, 800m (30,4 ± 2,3, 41,3 ± 1 e 48,1 ± 4,5 ml.kg-1, respectivamente), mas foi notado aumento na prova dos 1500m (47,1 ± 3,8 ml.kg-1). O cruzamento para predominância do fornecimento de energia pelo sistema aeróbio ocorreu entre 15s e 30s para as provas de 400m, 800m e 1500m. Conclusão: Esses resultados sugerem que a contribuição relativa do sistema energético aeróbio durante provas de atletismo é considerável e maior do que o conceito tradicionalmente apresentado.


A tabela 2 mostra a predominância da contribuição energética do sistema aeróbio durante as provas de 800m e 1500m, com média dos valores de 66% e 84% de fornecimento energético total, respectivamente (Destacado em amarelo).


A figura 1 exibe o momento em que o metabolismo aeróbio passa a predominar, onde acontece o cruzamento dos sistemas energéticos durante a prova. Nos 400m, o metabolismo aeróbio passa a predominar a partir do 30º segundo e tem participação de 43% do abastecimento energétivo total para os atletas. Para os 800m, o cruzamento ocorre por volta dos 25 segundos. Já nos 1500m, o aeróbio cruza o anaeróbio e passar a predominar com 15 segundos de prova.

Portanto, esse é um dos VÁRIOS estudos realizados no início dos anos 2000 que relatam a ELEVADA e PRECOCE participação AERÓBIA em esforços físicos. Os autores relatam que nos estudos que norteiam o conhecimento da nossa área, no que diz respeito a contribuição dos sistemas energéticos, foram utilizadas metodologias equivocadas e não representam o que realmente acontece, além de haver uma generalização e extrapolação inadequada das características abastecedoras de energia durante tarefas físicas.

A Equipe Só Fortalece pede desculpas pelo tempo de ausência das postagens, mas afirma que volta com MAIS FORÇA do que antes!