É sensível, na sociedade atual, a crescente utilização de bicicletas no transporte e no lazer, configurando-se como uma forma de evitar o aumento dos níveis de gases tóxicos liberados ao ar, o sedentarismo e os congestionamentos. Diversas são as modalidades e situações na qual o ciclismo se manifesta, dentre elas speed, bmx, down-hill, mountain bike, cross-country, dirt-jumps e até mesmo bike indoor nas academias.
Quando a bicicleta é utilizada como meio de transporte cotidiano, tem sido evidenciado por alguns autores a grande incidência de lesões e desconfortos gerados pela prática, em função do mal uso e de configurações inapropriadas nos equipamentos. Por ser um meio de transporte barato, muitas vezes a única opção de populações de baixa renda, a bicicleta acaba por se tornar uma ferramenta valiosa, porém perigosa, visto que em função da falta de instrução, não são contemplados princípios básicos da biomecânica e da boa postura. Os principais danos causados pelo uso incorreto da bicicleta são lombalgias e desvios posturais, porém cabe salientar que, quando utilizada de maneira correta, além de não causar danos, pode promover melhorias na aptidão física geral bem como para a manutenção da postura correta tanto na bicicleta como fora desta, além de estimular a circulação sanguínea e a irrigação das diferentes regiões da coluna vertebral.
Dando maior ênfase ao ciclismo de transporte ou recreacional no qual, segundo Martins (2007), ocorre a maior incidência de desajustes no posicionamento na bicicleta (altura do selim, guidão, tamanho e modelo do pé-de-vela, apoio indevido nos pedais ou no próprio selim, entre outros), que podem gerar lesões ou desconforto, influenciando desta forma o abandono da prática. Devemos compreender fatores influenciadores da postura como ângulos de inclinação do tronco, ângulo de aplicação da força nos pedais, empunhadura no guidão e posicionamento da coluna vertebral além da “relação” do individuo com a bicicleta que depende da idade, características físicas, repertório motor, entre outros fatores.
Visto que, de modo geral, as pessoas incluídas nesse contexto não realizam treinamentos que visem e ou proporcionem fortalecimento muscular adequado que possibilite um melhor controle da postura, como ocorre com os atletas competitivos das diferentes modalidades, esta realidade dá subsídio para que se desenvolvam as situações adversas bem como as lesões ósteo-musculares previamente citadas.
Partindo do exposto devemos primar por avaliar posicionamento da coluna vertebral, cintura escapular, pelve, ângulo de “ataque” das articulações de membros superiores e inferiores, de modo a minimizar a ocorrência de lesões e desconfortos causados pelo posicionamento inadequado das articulações em função da regulagem da bicicleta que podem a curto, médio e longo prazo causar desvios posturais.
Preconiza-se que sejam realizadas “oficinas” abertas ao público a fim de prover esclarecimentos ao público em geral, sobre a forma correta de utilizar a bicicleta, além disso estimular com que haja uma atuação por parte dos fabricantes indicando tamanhos, modelos e configurações adequadas para os indivíduos. Há materiais acadêmicos e não acadêmicos disponíveis na internet em bases de dados acadêmicas e até mesmo em sites de empresas fabricantes de bicicletas, que podem auxiliar para um melhor ajuste à bicicleta.
A Equipe Só Fortalece sugere, seja qual for o seu objetivo com o uso da bicicleta, que se busque obter informações e atentar para pequenas lesões e desconfortos que podem acarretar problemas mais sérios no futuro. Como aconselhamentos primários, citamos a correta regulagem da bicicleta e seus componentes, o correto posicionamento durante a pedalada e, ainda, a utilização de meios e métodos de treino de força para minimizar as chances de lesão.

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