O objetivo do presente estudo foi determinar se o treino de força do membro livre durante um período de três semanas de imobilização unilateral atenua a perda de força no membro imobilizado, por meio de cross-education (fenômeno responsável pela adaptação neural inter-membros).
A amostra foi composta por 30 indivíduos destros que não apresentavam lesões em nenhum dos membros superiores, divididos em três grupos. Um grupo (n=10) recebeu imobilização e treino do membro livre, outro grupo (n=10) recebeu somente a imobilização e o terceiro grupo (n=10) foi o grupo controle. As talas foram colocadas por um médico no antebraço não dominante. O treino realizado foi um treino isométrico máximo com dinamômetro manual 5 dias por semana.
A força isométrica máxima, a espessura do músculo e a eletro miografia foram avaliadas em ambos os braços antes e depois da intervenção. O grupo que treinou aumentou significativamente a força do braço direito, sem aumento significativo de hipertrofia, enquanto o membro imobilizado não se modificou de forma significativa. Já o grupo que não treinou apresentou perdas significativas de força e espessura do músculo. O grupo controle não apresentou mudanças.
O treino de força do membro livre atenuou a perda de força durante imobilização unilateral e talvez tenha evitado atrofia muscular no membro imobilizado.
Os autores reforçam a necessidade de que mais experimentos sejam conduzidos de modo a uma maior compreensão do fenômeno em questão, além disso eles chamam atenção para o fato de que os efeitos desse tipo de treino sobre pessoas que sofreram uma lesão real não são claros e tem sido pouco estudado.
Diversas hipóteses tem sido levantadas sobre a aplicabilidade do treino de força unilateral como por exemplo, se existe interferência positiva ou negativa do treino na recuperação da lesão no membro oposto, a relevância para atenuar os efeitos do destreinamento em atletas lesionados, melhoria da aptidão física em sujeitos com limitações morfofuncionais.

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